O Poder do Afeto

26 Novembro 2008

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A falta de tato para resolver conflitos e tratar de assuntos com pessoas que

têm idéias opostas, tem sido responsável por muitos desentendimentos e

dissabores nos relacionamentos.

 

Por vezes, um problema que poderia ser facilmente resolvido, cria sérios

rompimentos por causa da falta de jeito dos antagonistas.

 

O afeto, usado com sabedoria é uma ferramenta poderosa, mas pouco

usada pela maioria dos indivíduos.

 

O mais comum tem sido a violência, a agressividade, a intolerância.

 

Existem pessoas que não gostam de mostrar sua intimidade e se

escondem sob um véu de sisudez, com ares de poucos amigos, na tentativa de

evitar aproximações que deixem expostas suas fragilidades.

 

São como os caramujos, os tatus, as tartarugas e outros semelhantes.

 

Ao se sentirem ameaçados, escondem-se em suas carapaças naturais,

e não deixam à mostra nenhuma de suas partes vulneráveis.

 

A propósito, você já tentou alguma vez retirar, à força, de seu esconderijo,

um desses animaizinhos?

 

Seria uma tentativa fracassada, a menos que você não se importe

em dilacerar o corpo do seu oponente.

 

No caso da tartaruga, por exemplo, quanto mais você tentar, com violência,

retirá-la do casco, mais ela irá se encolher para sobreviver.

 

Mas, se você a colocar num lugar aconchegante, caloroso,

que inspire confiança, ela sairá naturalmente.

 

Assim também acontece com os seres humanos. Se em vez da força

se usar o afeto, o aconchego, a ternura, a pessoa naturalmente

de desarma e se deixa envolver.

 

Às vezes a pessoa chega prevenida contra tudo e contra todos e se desarma

ao simples contato com um sorriso franco ou um abraço afetuoso.

 

Mas, se ao invés disso encontra pessoas também predispostas à agressão,

ao conflito, as coisas ficam ainda piores.

 

Como a convivência com outros indivíduos é uma realidade da qual

não podemos fugir, precisamos aprender a lidar uns com

os outros com sabedoria e sem desgastes.

 

A força nunca foi e nunca será a melhor alternativa, além de

causar sérios prejuízos à vida de relação.

 

Portanto, criar relacionamentos harmônicos é uma arte que precisa

ser cultivada e levada a sério.

 

Mas para isso é preciso que pelo menos uma das partes o queira e o faça.

 

E se uma das partes quiser, por mais que a outra esteja revestida de

uma proteção semelhante à de um porco-espinho, ninguém

sairá ferido e o relacionamento terá êxito.

 

Basta lembrar dessa regra bem simples, mas eficaz: em vez da força, o afeto.

 

E tudo se resolve sem desgastes.

 

……………

 

De tudo o que fazemos na vida ficam apenas algumas lições:

 

A certeza de que estamos todos em processo de aprendizagem…

 

A convicção de que precisamos uns dos outros…

 

A certeza de que não podemos deter o passo…

 

A confiança no poder de renovação do ser humano.

 

Portanto, devemos aproveitar as adversidades para cultivar virtudes.

 

Fazer dos tropeços um passo de dança.

 

Do medo um desafio.

 

Dos opositores, amigos.

 

E retirar, de todas as circunstâncias, lições para ser feliz.

 


Verdade

21 Novembro 2008

Descobri que te amo demais
Descobri em você minha paz
Descobri sem querer a vida
Verdade!…

Prá ganhar teu amor fiz mandinga
Fui a ginga de um bom capoeira
Dei rasteira na sua emoção
Com o seu coração fiz zueira…

Fui a beira do rio e você
Com uma ceia com pão
Vinho e flor
Uma luz prá guiar sua estrada
A entrega perfeita do amor
Verdade!…

Meu amor, meu amor, incendeia
Nossa cama parece uma teia
Teu olhar uma luz que clareia
Meu caminho tal qual, lua cheia…

Eu nem posso pensar te perder
Ai de mim esse amor terminar
Sem você minha felicidade
Morreria de tanto penar
Verdade!…

Descobri que te amo demais
Descobri em você minha paz
Descobri sem querer a vida
Verdade!
Como negar essa linda emoção
Que tanto bem fez pro meu coração
E a minha paixão adormecida

Descobri que te amo demais!

 

Zeca Pagodinho
Composição: Nelson Rufino / Carlinhos Santana


Acredite em você!

19 Novembro 2008

vida

Não importa o que você é.

O importante é o que você quer ser…

Não importa onde você está.

Importa é para onde você quer ir…

Não importa o porquê.

O importante é o querer…

Não importam suas mágoas.

O importante mesmo são suas alegrias…

Não importa o que você já passou.

O passado? Guarde na sua lembrança…

Nunca pense em julgar…

Não veja. Apenas olhe…

Não escute. Apenas ouça…

Não toque. Sinta…

Acredite naquilo que quiser…

Não adianta sonhar se você não lutar…

O mundo é um espelho.

Não seja apenas um reflexo…

Só acreditando num futuro você conseguirá

a paz para alcançar seus sonhos…

Afinal, o que importa?

Importa você…

Acredite em você!


Uma relação tem que servir para:

11 Novembro 2008

casal

 

Uma relação tem que servir para

você se sentir 100%

à vontade com outra pessoa,

à vontade para concordar com ela e discordar dela,

para ter sexo sem não-me-toques ou

para cair no sono logo após o jantar, pregado.

 

Uma relação tem que servir

para você ter com quem ir

ao cinema de mãos dadas,

para ter alguém que instale o som novo,

enquanto você prepara uma omelete,

para ter alguém com quem viajar para um país distante,

para ter alguém com quem ficar em silêncio,

sem que nenhum dos dois se incomode com isso.

 

Uma relação tem que servir para,

às vezes, estimular você

a se produzir, e,

quase sempre,

estimular você a ser do jeito que é,

de cara lavada uma pessoa bonita

a seu modo.

 

Uma relação tem que servir para

um e outro se sentirem amparados

nas suas inquietações,

para ensinar a confiar,

a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e

deve servir para fazer os dois se divertirem demais,

mesmo em casa, principalmente em casa.

 

Uma relação tem que servir para

cobrir as despesas um do outro num momento de aperto,

e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia,

e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair.

 

Uma relação tem que servir para

um acompanhar o outro no médico,

para um perdoar as fraquezas do outro,

para um abrir a garrafa de vinho e

para o outro abrir o jogo, e

para os dois abrirem-se para o mundo,

cientes de que o mundo

não se resume aos dois.

 


Amizade

7 Novembro 2008
amigas1

Amigas do peito.

Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade…
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.

William Shakespeare


CASAMENTOS, FRESCOBOL E TÊNIS

6 Novembro 2008

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que, os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: Há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: “Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?’ Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.”

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O Império dos Sentidos.

Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra – é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer.

Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem

com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: “Eu te amo…”

Barthes advertia: “Passada a primeira confissão, ‘eu te amo’ não quer dizer mais nada.” É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: “Erótica é a alma”.

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola.

Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar.

O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo.

Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca.

Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra pois o que se deseja é que ninguém erre.

O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir… E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos…

A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá… Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão… O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.

O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem – cresce o amor…Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…

 

frescobol

 

Por Rubem Alves